Cartas topográficas e mapas: onde baixar

30 jan
Curvas de Nível e Topografia

Curvas de Nível e Topografia : Francisco Oliveira

Baixar mapas e cartas topográficas pode parecer simples e um requisito básico para qualquer Geocientista ou afins, mas, para um iniciante, a coisa pode se tornar bastante penosa.

Vou ser bem enfático: aqui não irei falar sobre o que são cartas, datum, como ler elas ou para que e como usá-las, mas apenas sistematizar como obtê-las (com dicas), dado que há uma angústia sombria pairando sobre o pesquisador iniciante. Ele sabe que a carta existe, mas não a acha  no labirinto da internet ou da burocracia pública.

Vamos ao início, por algumas considerações de introdução:

Carta Topográfica : fonte desconhecida

Carta Topográfica : fonte desconhecida

Considerações:

O fator escala e sua aquisição.
Carta topográfica versus SRTM

No Brasil, quanto menor a escala, mais fácil de existir uma carta topográfica para aquela área e mais fácil a sua obtenção.

Na real, quase todo o Brasil está em 1 : 50 000, o que é muito aceitável para a maioria dos usos.
A escala 1 : 100 000 existe para uns 90%  do território Brasileiro (com excessão do extremo norte e poucas regiões centrais).

SRTM
Gerar curvas de nível por intermédio da SRTM clássico Banda C – 100% gratuito, 90m de resolução, e de extrema facilidade de uso, ao meu saber, possui a mesma eficácia que uma carta topográfica 1 : 50 000 ou menor, cuja abrangência é de todo o território da América do Sul.
Há quem consiga, com certo trabalho sobre a SRTM (*ou TOPODATA), melhorar a resolução, por interpolação, destas imagens geradas.

SRTM de Banda X  (que pega poucas partes nacionais), possui grandes melhorias, com resolução de 30 m e facilidade de correção de erros, com vantagens sobre modelos tridimensonais do Aster de 30 m, o qual possui muita  interferências altimétrica e atmosféricas (exigindo conhecimentos mais avançados nas centenas formas de correção, a maioria específica para cada caso),  mas que em compensação abrange todo o Brasil.

O único defeito de uma carta gerada por SRTM é que a criação da hidrografia é um pouco ruim, por mais que o ArcHydro ou semelhantes ajudem. Mas nada que um Google Earth ou fotografias aéreas não ajudem.
Porém não vem com cidades, malha rodoviária, nem nada, mas estes elementos podem ser baixados, de forma atualizada, em separado no IBGE ou outros lugares.

Outra desvantagem, ao meu ver, é que se perde a toponímia que tão belamente existem nas cartas topográficas IBGE e DSG,  que além de poética, é importantíssima para uma pesquisa, seja para consulta de bibliografia ou conhecimento histórico.

O fator formato.

Há dois  formatos em que podemos encontrar cartas topográficas.

1) Carta Topográfica Real

2) Carta Topográfica Digital
esta separada em RASTER e VETORIAL.

A carta real existe nas mapotecas da maioria dos órgãos que as realizaram, estando ou não disponíveis para cópia.
Sinceramente, imagino elas sempre sejam necessárias, mesmo que se tenha a carta já digital.

Isso se dá pois o escaneamento das cartas topográfica reais para digitais, disponíveis em banco de dados on-line, sempre possui uma certa distorção e muitas vezes má qualidade de visualização. Na possibilidade do próprio pesquisador escanear as cartas topográficas, em boa resolução (DPI altos do escâner), há acréscimo em qualidade – o que pode compensar no momento de vetorização, desenhos digitais, georreferenciamento, etc.

No caso de imagem digital, a vetorizada é ideal. Na falta dela, vai de raster mesmo…

O fator órgão detentor

A geração de carta topográfica segue a lógica do governo.

  • Mapeamentos Federais (IBGE, RADAM, DSG, SUDENE etc.)
  • Mapeamentos Estaduais (secretárias de planejamento, agricultura e meio ambiente, principalmente).
  • Mapeamentos Municipais (secretárias de planejamento e loteamentos).
  • Programas de Governo: Alguns programas de governo, que envolvem várias esferas políticas e privadas, podem possuir mapeamentos próprios em escalas grandes, principalmente nos projetos voltados a recuperação de áreas de risco ou grandes obras.
  • Órgãos privados:  Interesses próprios.  Destaque para loteamentos e obras de infraestrutura.

Não é sempre, mas geralmente quanto menor a esfera de poder, mais atualizada e maior é a escala do mapeamento.
O ideal é procurar as secretárias estaduais, pois poucos municípios possuem interesse ou dinheiro para mapeamento.

Outro ponto ideal é sempre ligar para os responsáveis, e, melhor ainda, visitar ao vivo.

O funcionário público tem pouco tempo (ou vontade) de responder e-mails que não totalmente relacionados a suas atividades recorrentes. Se você mandar e-mail para a pessoa errada, pior.

Por telefone a pessoa cria um “carinho especial” por você, e lhe dá mais atenção, inclusive podendo lhe passar o contato de uma pessoa mais responsável por aquele assunto se não for ela.

Se for exigido ofício por escrito, opte por envia-lo também por e-mail, não contando apenas com o protocolo do mesmo. Isso agiliza a leitura do técnico, que o terá em mãos por e-mail antes de ser encaminhado pelo setor de protocolos – o setor mais lento de todos.

O fator mapoteca

Muitas universidades possuem mapotecas. A maioria possui mapas temáticos, e não topográficos. As poucas cartas topográficas são geralmente antigas (década de 60, 70), e insuficiente para cobrir grandes regiões (há sempre cartas que somem). Mas é sem dúvida um bom ambiente para se visitar, mesmo que por desencargo de consciência.
Suas cartas topográficas geralmente se concentram na região (ex: UnB para DF, USP para São Paulo, URFJ, para o Rio de Janeiro).

Cartas Topográficas

Areia Topográfica – Jared

AQUISIÇÃO DE CARTAS TOPOGRÁFICAS

MAPA ÍNDICE DE CARTAS BRASILEIRAS

O primeiro e principal passo, é consultar o mapa índice, gratuito mas um pouco escondido, do IBGE.

Ele pode ser encontrado aqui.

Para utilizá-lo, é muito simples.
Com o ArcGis ou outro programa semelhante, basta abrir os arquivos alocados na pasta produto_mapa_indice_digital.

Não é absolutamente necessário instalar o programa geomedia_viewer_6_1.zip , se já possuir outro software de SIG.
Nesta pasta haverá arquivos de cada escala, a qual você terá o nome e código de cada carta topográfico. Em alguns casos, a informação de sua localização (digital), órgão de editor, datum, dentre outros detalhes.

Há neste arquivo, inclusive um detalhamento de quais cartas VETORIZADAS PELO IBGE estão disponíveis on-line, e quais apenas RASTER.

Alguns links do mapa índice estão errados, mas se você arrumar em seu navegador, consegue acessar o site normalmente. Geralmente o link está errado pois ele vem com cópia 2 vezes do mesmo endereço, juntos. Basta apagar uma das metades repetidas.

DICA IMPORTANTE: Caso a carta não esteja no FTP do IBGE, talvez exista ela apenas escaneada.

Em alguns casos, a qualidade das escaneadas na Loja do IBGE são MELHORES que as do FTP.

Tente o seguinte procedimento:

BIBLIOTECA IBGE: http://biblioteca.ibge.gov.br/

Procure a carta, e, ao lado, haverá um ícone para abrir sua miniatura.

Ou LOJA IBGE: http://loja.ibge.gov.br/catalogsearch/result/?q=FOrmosa

Abre o site, escreva o nome ou número da carta topográfica (consultado no mapa índice). Ou com partes do nome (pois podem haver erros de digitação e acentuação no nome posto no IBGE)

Por exemplo, eu procurei a Lagoa do Caboclo, do mapeamento 1 : 25 000 do DF, que não existe no FPT do IBGE junto de suas parceiras vizinhas.

http://loja.ibge.gov.br/lagoa-do-caboclo-ne-1985-impress-o-digital.html

Depois, eu vou em DOWNLOAD e abre a imagem RASTER, em boa qualidade.
Basta eu baixá-la e georreferenciar.

Cartas 1 : 100 000

IBGE: Podem ser encontradas na sede ou digitais, no site: ftp://geoftp.ibge.gov.br/mapeamento_sistematico/topograficos/escala_100mil/

Disponível para todos usuários.

 ATENÇÃO: Algumas vetorizadas estão na pasta TIFF. Vai saber porque….

DSG: Podem ser encontradas apenas no site: www.geoportal.eb.mil.br/ na seção BGEx
Disponível para todos usuários.

(os levantamentos das Divisões de Levantamento e CGEx (2º DL)  possuem algumas cartas, mas recentemente apenas militares ou “Nível 3″ podem consultar. Os civis apenas podem utilizar as disponíveis on-line.)

É um site bastante organizado, que inclusive mostra e permite o download de cartas topográfica de outros órgãos. Aqui está o manual, mas nada que um pouco de uso e conhecimento em SIG não o torne intuitivo.

Cartas 1 : 50 000

IBGE: Podem ser encontradas na sede ou digitais, no site: ftp://geoftp.ibge.gov.br/mapeamento_sistematico/topograficos/escala_50mil/

Disponível para todos usuários.

 ATENÇÃO: Algumas vetorizadas estão na pasta TIFF, e não VETORIZADAS. Vai saber porque….

DSG: Podem ser encontradas apenas no site: www.geoportal.eb.mil.br/ na seção BGEx

Disponível visualização para todos usuários. Apenas com requerimento especial,  um civicl pode-se baixá-las.

Cartas 1 : 25 000

IBGE: Podem ser encontradas na sede ou digitais, no site: ftp://geoftp.ibge.gov.br/mapeamento_sistematico/topograficos/escala_25mil/
São de mapeamentos especiais, principalmente do DF e entorno.

Disponível para todos usuários.

 ATENÇÃO: Algumas vetorizadas estão na pasta TIFF, e não VETORIZADAS. Vai saber porque….

DSG:  A grande maioria das cartas 1 : 25 000 pelo Brasil a fora, são da DSG.

Podem ser encontradas  no site: www.geoportal.eb.mil.br/ na seção BGEx

Disponível para usuários nível 3, ou seja, militares ou órgãos associados ao exército.

No entanto, sua visualização é disponível para todos usuários, o que permite capturas de telas se necessário e impressões físicas.

dica: se colocar para imprimir, a tela aumenta de tamanho.  É um bom momento de print screen.

Instruções sobre o BGEx, ler em 1 : 100 000 neste blog.

Cartas 1 : 10 000

São Paulo: Possui mapeamento 1 : 10 000 realizado pela Seplam.
Mapa índice aqui.

Podem ser adquiridas no IGC:
Alameda Santos, 1.165 – Cerqueira César – SP – São Paulo – CEP 01419-002

Atendimento das 9 às 16h. 25 reais cada carta topográfica ou mapa (em preto e branco)

BRASÍLIA:  Possui mapeamento 1 : 10 000 realizado pela SEDHAB (SICAD)
Mapa índice aqui.

Podem ser adquiridas na SEDHAB: Telefone: (61) 3214-4111
SCS Quadra 06 Bloco “A” – Brasília/DF – CEP: 70.306.918

Cartas 1 : 5 000

São Paulo: Podem ser adquiridas no IGC: Alameda Santos, 1.165 – Cerqueira César – SP – São Paulo – CEP 01419-002
Informações em:  http://www.igc.sp.gov.br/produtos/cartas_base.html

São Carlos / Ribeirão Preto – 1992

  • (Barrinha, Cravinhos, Dumont, Guatapará, Pradópolis, Ribeirão Preto, Sertãozinho, Serrana)

Franca / Batatais – 1992

  • (Batatais, Brodósqui, Cristais Paulista, Franca, Itirapuá, Jardinólpolis, Jeriquara, Patrocínio Paulista, Pedregulho, Restinga, Ribeirão Corrente, Rifaina, São José da Bela Vista)

Borborema / Ibitinga

  • (Boa esperança do Sul, Borborema, Dobrada, Ibitinga, Itaju, Itápolis, Matão, Novo Horizonte, Santa Ernestina, Tabatinga)
  • Andradina, Araçatuba, Araras, Bebedouro, Botucatu, Bragança Paulista, Itapeva, Jaboticabal, Marília, Mogi-Guaçu, Ourinhos, Tatuí, Tupã

Cidades Médias

  • Ribeirão Preto, Campinas, Sorocaba, Litoral (Litoral Sul)
Curva de Nível

o oceano está quebrado

7 jan
velejador Ivan

Fonte: YIMG

Relato do velejador Ivan Macfadyen, para o jornal local The Herald (Austrália)  sobre o que ele viu em sua corrida pelo Pacífico, pelo roteiro Austrália- Japão-Estados Unidos. Relato este que está repercutindo discretamente na mídia internacional, desde outubro.

Fonte: The Herald (Austrália)

Tradução: Latitude-0  – buscou-se manter a linguagem e sequências do texto original, inclusive os termos náuticos.  Sujeita à críticas.

O oceano está quebrado

The Ocean is Broken

Foi o silêncio que fez esta viagem ser diferente de todas as outras antes dela. Não a ausência de som, exatamente.

O vento ainda chicoteava as velas e assobiava sobre o velame.

As ondas ainda esguichavam contra o casco de fibra de vidro.

E havia muitos outros ruídos:  pancadas, solavancos e arranhões abafados de quando o barco batia contra pedaços de detritos.

O que não existiam eram os gritos das aves marinhas que, em todas as viagens anteriores semelhantes, haviam cercado o barco.

As aves estavam faltando porque os peixes estavam faltando.

Exatamente 10 anos antes, quando o velejador oriundo de Newcastle, Ivan Macfadyen, havia navegado exatamente o mesmo caminho, partindo de Melbourne para Osaka, tudo o que ele tinha que fazer para pegar um peixe no oceano, entre Brisbane e Japão,  era jogar uma linha com iscas para fora.

“Não houve um único dia, dos 28 dias de viagem, que nós não pegamos um peixe de bom tamanho para cozinhar e comer com um pouco de arroz”, lembrou Macfadyen.

Mas desta vez, em toda a duração  desta jornada pelo mar, a captura total foi de dois peixes.

Nenhum peixe. Nenhum pássaro. Dificilmente um sinal de vida.

“Em anos passados, eu tinha me acostumado a todas as aves e seus sons”, disse ele.

“Elas estariam seguindo o barco, às vezes descansando no mastro antes de decolar novamente. Você veria bandos deles  sobre a superfície do mar, ao longe, se alimentando de sardinhas”.

Mas, em março e abril de 2013, apenas o silêncio e a desolação cercavam seu barco, Funnel Web, uma vez que este navegou através da superfície de um oceano assombrado.

Ao norte da linha do equador, à cima de Nova Guiné, ele viu um grande barco de pesca trabalhando em um recife distante.

“Todos os dias ele estava lá, arrastando-se  (método de pesca com redes de arrasto) de um lado ao outro. Era um grande navio, como uma nave-mãe”, disse ele.

Durante toda a noite ele também trabalhava, sob holofotes brilhantes.  Então pela manhã, Macfadyen foi acordado por seu tripulante  o chamando com urgência, avisando de que o navio pesqueiro  havia lançado uma lancha no mar.

“Obviamente, eu estava preocupado. Estávamos desarmados e os piratas são uma verdadeira preocupação nessas águas. Pensei que, se esses caras possuíssem armas, então estávamos em apuros.”

Mas eles não eram piratas, não no sentido convencional pelo menos. A lancha veio ao lado e os homens melanésios a bordo ofereceram  presentes,  como frutas, potes de geleia e conservas.

“Então eles nos deram cinco grandes  sacos cheios de peixes”, disse ele.

“Eram bons, peixes grandes, de todos os tipos.  Alguns estavam frescos, mas outros haviam ficado obviamente sob o sol por muito tempo.

“Dissemos a eles que não  poderíamos comer todos os peixes.  Haviam apenas dois de nós,  sem lugar para armazenagem.  Eles apenas deram nos ombros e  disseram  para jogar os peixes ao mar.  Isso é o que eles teriam feito,  de qualquer maneira,  disseram”.

“Eles nos contaram que se tratava de apenas uma pequena fração de um dia de captura.  Que  só estavam interessados ​​em atum e para eles, todo o resto era lixo. Estava tudo morto, tudo abandonado.  Eles simplesmente se arrastavam pelo recife, dia e noite,  removendo de lá tudo que era vivo. “

Macfadyen sentiu-se mal em  seu coração. Esse era um barco de pesca, dentre inúmeros outros trabalhando para além do horizonte sem serem vistos, muitos deles fazendo exatamente a mesma coisa.

Não admira que o mar estava morto. Não é de admirar que suas varas não pescaram  nada. Não havia nada para pescar.

Se isso soa deprimente, depois  só piorou.

A próxima etapa da longa viagem foi a partir de Osaka para São Francisco e  na maior parte do que era aquela  viagem, a desolação foi tingida com um nauseante horror e uma porção de medo.

“Após termos deixado o Japão,  sentimos  como se o próprio oceano estava morto”,  relata Macfadyen.

“Nós não vimos nenhum ser vivo. Vimos uma baleia, meio que rolando impotente sobre a superfície com o que parecia ser um grande tumor em sua cabeça.  Aquilo foi muito doentio.

“Eu fiz um monte de milhas no oceano em minha vida e eu estou acostumado a ver tartarugas, golfinhos, tubarões e grandes agitações de pássaros se alimentando. Mas, desta vez, para além de  3000 milhas náuticas, não havia nada vivo para ser visto. “

No lugar da vida que faltava,  havia lixo em volumes surpreendentes.

“Parte disso foi consequência do tsunami que atingiu o Japão há alguns anos. A onda veio para cima da terra, pegou uma quantidade enorme de coisas e as levou para o mar. E ainda estão lá fora, por todos os cantos que você olhar . “

O irmão de Ivan, Glenn, que embarcou no Havaí para a corrida nos Estados Unidos,  maravilhou-se com os “milhares de milhares” de plásticos amarelos boiando. Os enormes emaranhados de corda sintética, linhas de pesca e redes. Pedaços de espuma de poliestireno aos milhões. E manchas de petróleo e gasolina, em todos os lugares.

Incontáveis postes de energia de madeira estão lá fora, quebrados pela onda assassina e ainda arrastando suas fiações no meio do mar.

“Nos anos passados, quando você estava em calmaria por falta de vento, você apenas ligava o seu motor”, disse Ivan.

Não desta vez.

“Em muitos lugares não podíamos  ligar  nosso motor com medo de enredar a hélice em pedaços de cordas e cabos. Isso é uma situação  inédita no oceano.”

“Se decidíamos usar o  motor,  não poderíamos fazê-lo durante a noite, apenas durante o dia, com um vigia na proa,  olhando o lixo.

“Na proa, nas águas acima do Havaí, você pode ver diretamente abaixo das profundezas.  Pude ver que os detritos não estão apenas na superfície, mas em todo o canto. E são de todos os tamanhos, desde garrafas até pedaços do tamanho de um carro grande ou um caminhão.

“Nós vimos uma chaminé industrial  saindo da água, com alguma espécie de caldeira ainda apensada,  abaixo da superfície. Vimos um grande container, apenas rolando mais e mais sobre as ondas.

“Nós fomos tecendo em torno desses pedaços de detritos. Era como navegar através de um monte de lixo.

“Abaixo do convés você estava constantemente ouvindo coisas baterem contra o casco, e você estava constantemente com medo de chocar-se a algo realmente grande. Assim, o casco foi riscado e amassado em todo o lugar por causa de pedaços e peças que nunca vimos.”

O plástico era onipresente.  Garrafas, sacos e todo tipo de artigo doméstico descartável que você pode imaginar, desde cadeiras quebradas até pás de lixo, brinquedos e utensílios.

E mais uma coisa.  A pintura em amarelo vívido do barco, que  nunca desbotou por sol ou mar nas outras viagens ​​, reagiu com alguma coisa na água depois do Japão, perdendo o seu brilho de uma forma estranha e sem precedentes.

De volta para Newcastle, Ivan Macfayen ainda está chegando a um acordo com o choque e horror da viagem.

“O oceano está quebrado”, ele disse, balançando a cabeça em descrença atordoada.

Reconhecendo que o problema é grande, e que nenhuma organização ou governos parecem ter interesse particular em fazer algo sobre isso, Macfadyen está à procura de ideias.

Ele planeja pressionar os representantes do governo, esperando que eles possam ajudar

Mais imediatamente, ele vai abordar os organizadores de grandes corridas marítimas da Austrália, tentando alistar iates em um esquema internacional que usa velejadores voluntários para monitorar detritos e a vida marinha.

Macfadyen inscreveu-se para um destes esquemas, enquanto ele estava nos EUA,  respondendo a uma abordagem de acadêmicos norte-americanos que pediram iates para preencher formulários diários de pesquisa e coleta de amostras para testes de radiação – uma preocupação significativa despertada após o tsunami e consequente  falha nuclear na estação de energia Japonesa.

“Perguntei-lhes por que  nós não impulsionamos uma frota para ir e limpar a bagunça”

“Mas eles disseram que tinham  calculado que o dano ambiental a partir da queima do combustível para fazer esse trabalho seria pior do que apenas deixar  o lixo lá.”

Atmosfera primitiva: muito antes do aquecimento global

27 dez

Atmosfera http://www.flickr.com/photos/ostrosky/2035121971/sizes/z/

A história da atmosfera

Muito se fala do futuro do clima do mundo e de sua atmosfera, mas pouco se fala sobre o seu passado.

Como era a atmosfera primitiva (antiga), ou, em termos científicos, a paleo-atmosfera?

A origem do planeta e de nossa atmosfera primitiva

A atmosfera nada mais é do que uma camada que recobre o nosso planeta. Faz parte dele, refletindo tudo o que acontece lá embaixo, nos oceanos (principalmente),  nos continentes e ainda nas profundezas do subsolo e manto terrestre.

Nosso planeta teve origem comum a  todo o sistema solar, há 5 bilhões de anos. Era uma rocha incandescente, dada a própria energia de nossa nebulosa-mãe e de milhares de impactos de outros proto-planetas (como Theia)  e meteoritos, batendo entre si, se fundindo como pura rocha derretida, criando o que hoje chamamos de Terra, um planeta rochoso.

Neste ambiente agressivo e quente, ainda instável, provavelmente o que rodeava nosso recém-nascido lar era os mesmos gases que já existiam na nebulosa (e que formaram os planetas gasosos, como júpiter, saturno, etc.).  Estes gases com o passar do tempo foi “jogado” para longe do Sol pelo próprio movimento de todos os elementos em torno de nossa estrela (centrifugação) e pelos  ventos solares.

O elemento principal desta atmosfera primitiva foi o hidrogênio e hélio.

Gases extremamente leves precisam de grandes massas (ou formar grandes massas, como Júpiter, Saturno, Urano, etc.)  e pouca energia de ventos solares para poderem se fixar. É por isso que estes gases hoje nos são raros na nossa atmosfera, dado nosso pequeno tamanho e proximidade com o Sol.

Uma segunda atmosfera

Após cerca de 500 milhões de ano (ou seja, lá para 4.5 bilhões de anos atrás) o hidrogênio e hélio foram varridos. Neste momento, a crosta passou a se solidificar, formando inúmeros vulcões em erupção.   Vulcões bem grandes, por sinal. E para piorar: A Terra foi rebombardeada por asteroides em um evento conhecido como “Intenso Bombardeamento Tardio”, provavelmente ocasionado com a estabilização dos planetas gasosos em sua órbita atual (o que fez lançar os fragmentos rochosos para o sol e formar o centurião de asteroides entre os gasosos e nós, rochosos).

Estes eventos foram responsáveis por lançar na atmosfera (ou melhor: reformar ela) muito gás carbônico, nitrogênio, amônia e vapores de água.  Também, na crosta, permitiram a chegada de metais pesados (ouro, prata, etc.) na superfície via asteroides, dado que elementos pesados formatos junto ao Planeta  “desceram” pelo manto.
Estima-se que mais de 90% da atmosfera da Terra era puro gás carbônico, muito semelhante à Vênus (96.5% da atmosfera é CO2). A pressão de nosso ar era então muito maior do que é hoje, com uma densidade 100 vezes ampliada (quase a mesma densidade que a água!).

Uma terceira atmosfera

Lá para 3.5 bilhões de anos, surgiram os oceanos, menos vulcanismos, chuvas, precipitação de carbonatos… Criando o paraíso para o surgimento da vida, dando origem ao reino (ou domínio) das de “archea“, cujos “descendentes” hoje vivem em locais realmente extremos (e dão o melhor indício de como pode ser a vida em outros planetas). Estes seres se alimentavam de… Luz (e comendo uns aos outros), produzindo energia química (inclusive, metano – ou melhor: álcool).

Aí começou a surgir metano na nossa atmosfera e uma coisa que todos nós precisamos ter em mente: o poder dos seres vivos em mudar a atmosfera, mesmo em períodos astronômicos estáveis.

Alguns outros seres (não se sabe se vindo dos archea ou sendo primos destes, com outro ancestral em comum) descobriram que além de luz, poder-se-ia utilizar também CO2, para produzir mais energia ainda – liberando neste processo, nosso querido O2.

Oras, era uma vida sob uma atmosfera cheia de CO2 (que inclusive, precipitando junto a chuvas, deu margem ao início da criação de moléculas). Como vocês podem imaginar estes seres, chamados de cianobactéria que surgiram há 2,7 bilhões  utilizam o que mais havia de abundante por aí: sol e CO2.

Tal foi à eficiência destes seres que,   de tantos se proliferaram e emitir O2, em um determinado momento, fizeram o oxigênio prevalecer sobre o CO2, diminuído sua própria “comida”. Essa prevalência foi ocasionada também pela saturação de rochas em absorver o O2, e poucos gases sendo lançados (como o enxofre) por vulcões, que também capturavam o o2.

Criou-se, então, o primeiro colapso atmosférico causado por seres vivos: Muita liberação de O2 no ambiente, sua baixa captação por rochas e outros gases, e pouco CO2, por mais irônico que isso soe. Um colapso que quase acabou com a vida da Terra, muito além do que nós jamais poderíamos conseguir.

Contudo, permitiu que seres eucariontes e a reprodução sexual (uhu!) se desenvolvessem.

Uma das hipóteses é que, além de baixa disponibilidade de CO2, o que começou a matar os seres da Terra (veja bem: são seres pouco complexos!), que dependiam deste gás, houve uma mudança significativa na temperatura do planeta, ocasionando também resfriamento, e, para piorar, intoxicação por o2, já que muitos dos seres não tinham como se proteger deste elemento extremamente reagente.

Contudo, permitiu que seres eucariontes e a reprodução sexual (uhu!) se desenvolvessem.  E também nossa respiração aeróbia.

Atual Atmosfera. Fim da história?

http://www.flickr.com/photos/zhoumingjia/6788945524/sizes/z/

Poluição da atmosfera – ZHOUMINGJIA

É a continuação da  atmosfera anterior, onde seres que capturam o oxigênio voltaram a ceder CO2 para a atmosfera. Criou-se, portanto, certo equilíbrio nestes dois processos, com alguns seres emitindo co2, e outros o2.

Em alguns momentos, com a criação de vida mais complexa, como plantas e animais, ora prevalecia picos de até 30% de O2 na Terra, ora de 20%.

Um dos maiores momentos de aquecimento, durante o Carbonífero, a Terra teve um dos seus maiores picos de CO2, ocasionado por grande tropicalidade que criou extensas florestas consumidoras de O2 (e que foram soterradas e originaram as maiores reservas de petróleo em ambientes tropicais).

Durante este período, também houve diversas catástrofes, principalmente em eventos que inserem muito, mas muito gás carbônico no meio ambiente (como vulcanismos, impactos de meteoros), e outros eventos em que o balanço da vida foi afetado,  a qual mantém a atmosfera, tais como em glaciações (por eventos solares) ou eventos de extrema radiação,  dentre outras grandes extinções de massa.

Somos apenas um pontinho em tudo isso (mas que, em nossa escala de vida, há grande implicância), nessa briga entre os gases emitidos por eventos geológicos, eventos biológicos e astronômicos. Algo que dura bilhões de anos – e durará por mais outros bilhões, até o fim do Sol.

Formação de Lagoas e Lagos. Definições e exemplos.

10 out

Vamos aqui explicar a formação de lagoas e lagos, classificando suas origens e exemplificando com casos reais, inclusive com fotos!

Abordaremos:

Definição de Lagoas e Lagos

Como se formam lagoas e lagos

Primeiro vamos definir o que é lagoa, lago, laguna e mar.

Lagoa e lago são depressões na superfície atualmente preenchidas por água e cercadas por terra. Não há uma forma, tamanho ou profundidade específica, mas comumente e em síntese, as lagoas e lagos são diferentes: a primeira é mais rasa, pode ter vegetação terrestre dentro e a luz solar penetra até o seu fundo. Lagos são profundos, sem vegetação terrestre e a luz solar mal penetra até seu fundo. É assim que irá encontrar nos livros sobre Limnologia – a área da ciência que estuda estas feições, do ponto de vista geológico, químico e biológico – especialidade compartilhada pelos Biólogos, Geólogos, Geógrafos e às vezes Oceanógrafos.

Outra forma de divisão determina que Lagoas são Lagos ligados ao mar e que possuem água salobra, ou que tiveram evolução pelo aumento e diminuição do nível do mar (transgressão e regressão marinha).  Aqui, pessoalmente, considero a divisão de Lagoa e Lago pela penetração de luz solar, e lagunas, estas sim, são lagos e lagoas que possuem água salobra e contato com o oceano ou origem pelo nível do mar.  Mares são Lagos realmente grandes e com água salgada (podendo ser conectados ao oceano, mas geralmente não). É a definição de Esteves.

Seja como for, a linguagem comum e os nomes dos lugares (toponímia) pela sociedade é importante culturalmente, mas não coincide sempre com a linguagem da ciência. Muitas represas são na verdade lagos naturais, muitas lagoas são na verdade lagos ou lagunas.

Origem e Formação de Lagoas e Lagos.

Existem várias classificações de origens de lagos ou lagoas. Eu gosto a do Hutchinson, que apesar de ser antiga (década de 50) foi base para as posteriores (seja a criticando ou a complementando). É facilmente traduzida para uma linguagem mais simples. Seus termos são bastante intuitivos também, pois englobam termos da Geologia e Geografia escolar, não exigindo explicações complexas para um panorama geral.

Esta classificação engloba 11 origens de formação, que por sua vez, se separam em várias outras sub-classes (mais de 70), contudo exigem conhecimento mais profundo (tipos de ação tectônica, tipos de vulcões, tipos de dissolução química de rochas, etc.).

As águas de uma lagoa e lago podem vir por correntes de água superficiais (rios, córregos, etc.), por correntes ou ressurgência (nascentes) de água subterrânea, ou mesmo pela chuva. Podem, ainda mais, ser associação variável dessas três. A lagoa pode ser fechada, quando sua água fica estocada nela mesma (exemplo: Mar Morto, Mar de Aral…) ou aberta, podendo sua água sair por correntes superficiais ou perda subterrânea, mantendo um equilíbrio do que entra e do que saí.

Em alguns casos, a água é originária pela estocagem de outro corpo de água, como obstrução de água marinha, como o já citado Mar Morto.

Uma coisa muito importante de se aprender nas ciências da natureza: classificações científicas são imposição de limites humanos, que não existem na realidade – a natureza é contínua, dinâmica e variada. Os limites de classes humanas são móveis e imparciais (mudando conforme pesquisador, época, ou propósito).

Vamos EXPLICAR POR CIMA, cada uma delas, indicando links para o aprofundamento do tema, enquanto nós mesmos não o fizermos ao longo do futuro. Irei adaptar um pouco a classificação original.

Lagos formados por ação tectônica

Ação tectônica, se bem se lembra, é quando a crosta terrestre na qual pisamos se movimenta. Isso pode criar, com o impacto do contato de continentes, as cordilheiras gigantes e terremotos (orogênese).  Pedaços de crosta também podem subir e descer, criando os chamados Rifts Valleys e depressões (Epirogênese). Muitos destes vales e depressões podem ser preenchidos por água, originando lagos.

Muitas vezes, a crosta pode subir no próprio oceano, ou fechar mares com o movimento dos continentes, criando a estocagem dele. É o caso do Mar Morto, que outrora foi um oceano, cujas águas foram represadas pela deriva continental. Sua água se perde cada vez mais por evaporação, até desaparecer daqui milhares de dias, deixando um salar.

Lago Tahoe, Estados Unidos

O lago Tahoe está nos Estados Unidos, cuja vista atraí bastante turismo, pousadas e cassinos,  Foi originado no rebaixamento de blocos, o que chamamos de graben, ou seja, uma enorme depressão que origina bacias sedimentares. A sua volta, como na maioria das lagoas formadas dessa forma, houve o soeguimento de outros blocos (horst), originando montanhas. O formato deste lago mudou por causa de ação do gelo, na Era Glacial.

vista aérea Lago Tahoe

O lago Tahoe está nos Estados Unidos, cuja vista atraí bastante turismo, pousadas e cassinos. Foto: Wikipedia .

vista horizontal Lago Tahoe

Vsta horizontal Lago Tahoe. Foi criado com o rebaixamento de blocos (graben) originando bacia sedimentar. A sua volta, houve o soeguimento de outros blocos (horst), originando montanhas. Foto: Wikipedia

Lagoas formadas por ação geotérmica (Lagoas Vulcânicas – Fontes Termais).

Vulcões estão nas escolas, nos cinemas e na cultura popular. Não é para menos, dado o seu potencial destrutivo… Mas não se fala muito o quão fértil é a lava ao solidificar (originando, por exemplo, as “terras roxas” Brasileiras, importantes para a economia do Café). Os vulcões criam depressões sejam em suas crateras desativadas, caldeiras ou mesmo na solidificação da lava. Há casos ainda que sedimentos (como cinzas vulcânicas) podem represar os rios e impulsionam a retomada da vida após a catástrofe. Fontes terminais, por vulcanismo ou mesmo aquecimento geotérmico, pode surgir e criar lagoas.  Mais fotos? Veja uma seleção de íncriveis lagos vulcânicos.

São lagoas geralmente não muito grandes, e bastante redondinhas, com rochas básicas (ígneas) ao seu redor.

ps: geralmente esta classe é apenas chamada de “vulcanismo”, mas existem forças geotermais que não tem a ver com vulcanismo

Lagoa vulcânica Tanchi, na China.

Lagoa vulcânica Tanchi, na China. Foto: Wikipedia

Lagoas formadas por ação glacial (Lagoas Glaciais, Fiordes, Circos).

Não há, atualmente, geleiras no Brasil nem (imagino eu) lagoas desta origem. Prevalecem principalmente no hemisfério Norte o qual passou por grande glaciação no Quaternário (os últimos 10-14 mil anos), e até hoje possui grandes áreas de gelo.

O peso de glaciais, o seu movimento lento, dilatação térmica, represamento de rios e derretimento podem criar diversas feições realmente lindas. Uma delas são os Fiordes, de quando as geleiras escavavam seu caminho ao mar; ou os Circos Glaciais, quando elas criam grandes depressões nas beiras de montanhas.

Lagoas do tipo Circo

Lagoas do tipo circo são formadas próximos a sopés de montanha, quando estas barravam o avanço de geleiras. Foto: Jody Grigg

Lagoas formadas por ação antrópica (Represas, Lagoas Antrópicas)

O ser humano pode intencionalmente ou não criar suas próprias lagoas ou lagos, desde rebaixamentos em sua propriedade para estocar água ou para plantar culturas alagadiças (como do arroz), até criar represamentos para gerar energia ou amenizar o clima de uma cidade. Crateras de bombas durante guerras e de exploração de minérios (criando as minas e pedreiras), ao serem abandonadas, originam também lagos e lagoas.

Lago da represa Itaipu

Lago da represa Itaipu . Fonte: http://sitedanoticia.com/canais/turismo/

Lago Paranoá e região norte de Brasíli

Lago Paranoá e região norte de Brasília. O lago foi feito através da barragem Paranoá, antes da construção da cidade afim de minimizar a secura do ar e o tédio da cidade. Foto: desconhecido

Lagoas associadas à linha de costa \ praia  (Lagoas Costeiras ou Lagunas)

O rio pode formar barras ou deltas com sua própria sedimentação ao chegar à praia, dependendo principalmente das variações do nível oceânico ao longo do tempo geológico, isolando regiões que viraram lagunas. Modificações no sistema fluvial, por uso humano, podem também modificar o sistema lagunar.

O rio também pode criar depressões próximas à região costeira em sua área de estuário, e com a mudança do nível (rebaixamento) do mar, as áreas ficaram deprimidas e isoladas.

Lagoas formadas por dissolução de rochas (Lagoas Cársticas e Pseudo-Cársticas)

Algumas rochas facilmente são dissolvidas pelo clima. Talvez as mais famosas sejam as rochas carbonáticas, que criam feições bastante típicas que compõem o que chamamos de “carste”. Várias cavernas, depressões, abrigos sob rochas são criadas assim.

Há uma discussão ainda em curso sobre a real potência de dissolução de outras rochas não-carboáticas, mas que criam feições típicas do carste; tal como em rochas e sedimentos quartzosos ou de ferro.

Lagoa do Sumidouro, Minas Gerais.

Lagoa do Sumidouro, Minas Gerais. É uma lagoa escavada nos calcários de Lagoa Santa. Nos paredões e nas suas magens, foram encontrados sítios arqueológicos milenares.

Lagoas formadas por organismos

Ok. Separamos o homem da classe organismos, mas não muito diferente de nós, castores também gostam de fazer suas próprias represas, assim como organismos vegetais podem acelerar a dissolução de rochas.

Barragem de castores. Foto: ALH1

Lagoas formadas por ação fluvial

Este é fácil: ocorre geralmente de duas formas: meandros (braços de rio) são abandonados pelo rio principal, ficando isolados e desenvolvendo lagos e áreas pantanosas, geralmente em forma de ferradura. Bastante comum em grandes planícies aluviais, como o era no Tietê, e o é em maior escala no Amazonas (este, inclusive, com aparecimento e desaparecimento de lagoas quase que diariamente)

A outra forma é a erosão do rio de rochas, criando as piscinas perto de quedas de água (cachoeiras, saltos, cataratas, etc.).

Meandros abandonados e lagos fluviais

Meandros abandonados na bacia amazônica. Provavelmente eles irão virar lagos, de vida curta.

Lagoas formadas por impacto de corpos celestes

O impacto de meteoros cria perfeitas depressões que originaram lagos e lagoas. A maioria destes impactos ocorreu no tempo de formação do sistema solar (quando existiam mais meteoritos disponíveis) e suas crateras, portanto já desapareceram. A Terra não é “esburacada” como a Lua, pois está em constante mudança (movimentos tectônicos, vulcanismos, mudanças climáticas, milhares de anos de ação pluvial e fluvial, organismos, morfogênese e pedogênese, etc.).

Algumas crateras mais recentes, contudo, sobrevivem e originam lagos.

Chubb. Fonte: Wikipedia

Cratera Chubb. Fonte: Wikipedia

Lagoas formadas por movimento de massa e solo

Movimentos abruptos de solo podem represar rios e córregos, criando lagoas. Geralmente, os rios represados (por qualquer material que seja) possuem formato alongado. Voçorocas também podem originar lagoas.  Inseri também movimento de solo pois em solos arenosos, internamente, há o efeito de pipping, que pode acarretar no colapso do solo (meu mestrado, yeah).

 Lagoas formadas por ação eólica (Playas)

Dunas movidas por vento podem represar cursos de água originando lagoas e a deflação (erosão pelo vento) pode criar lagoas e lagos, sendo mais comuns em áreas planas e semiáridas, onde os ventos agem de maneira mais intensa e sem concorrência erosiva. Desta forma, costumam originar as playas. O desmatamento favorece este processo. As playas podem ainda estar associadas com chuva, que tendem a “iniciar” o processo, criando pequenas depressões que são posteriormente alargadas “eólicamente”.

Lagos eólicos (Playas)

Lagos eólicos (Playas): Fonte desconhecida

Playa seca

Playa seca, de coloração mais clara, de areia lavada. Provavelmente já foi uma lagoa (ou o é no verão), mas no momento da foto não há água. Fonte:

 

Playa versus Salar

ATENÇÃO: As playas fazem parte dos chamados “Lagos Secos”, e podem virar um Salar quando cobertos por sal. Contudo, existem Salares realmente grandes, como o de Uyuni na Bolívia, que possuem uma origem diferente: foi criado de forma tectônica, quando houve o soerguimento do altiplano andino (orogênese),  na qual houve isolamento de uma porção do oceano, que posteriormente evaporou. Neste Salar, há diversas playas criadas pelo vento, mas o salar por si só não é uma playa! Não confunda (quase todas fontes que procurei faziam confusão)

O termo playa, na África é substituído por “Pan”.

Salar Uyuni. Uma ex-lagoa

Salar Uyuni na Bolívia. Uma ex-lagoa

Finalizando

Bem, é isso. Aqui tentei explicar rapidamente o que é e a formação de lagoas e lagos. Cada tipo de formação específica pode ser encontrada nos links ao longo do post, mas ao longo do tempo irei criando um post especifico para cada.

A bibliografia foi diversificada, entre sites e livros que ao longo da minha vida já pesquisei. A vantagem de um blog é exatamente não ter que lembrar e referenciar de cada um!
Contudo indico iniciar a pesquisa por dois clássicos (lá fora e um nacional):

HUTCHINSON, G. E – A Treatise on Limnology. Vol I. Novo Iorque: Geography, Physics and Chemistry, 1957

Esteves, F.A. Fundamentos de Limnologia. Rio de Janeiro: Editora Interciência, 1988. 574p.

Visite também IB-Limnologia

Leia também: Trindade, M. Lagos: origem, classificação e distribuição geográfica. São Carlos: UFSCar, 1996. 274 p

A educação de um geógrafo – Carl Sauer

8 out

A Educação de um Geógrafo* – Carl Sauer

Melhores Trechos sobre Inclinação a ser um Geográfo, para quem está em dúvida se vale a pena seguir essa ciência. Foram retirados parágrafos do texto original.

*The Education of a Geographer foi publicado em Annals of the Association of American Geographers, vol. 46, 1956, pp. 287-299, a partir de um discurso endereçado ao presidente honorário da associação por ocasião de seu encontro anual, em abril de 1956, e republicado em Leighly, John (ed.). Land and Life – a selection from the writings of Carl Ortwin Sauer, Berkeley, Univ. of California Press, 1983, pp. 331-379. A tradução “Educação de um geógrafo” foi confrontada com a edição espanhola, publicada por Garcia Ramon, J. et alii. Teoría y Metodo en la geografia anglosajona. Barcelona, Ed. Ariel, 1986. Tradução de Werther Holzer, do Departamento de Urbanismo, UFF.
Educação antiga para futuros geógrafos

Crianças aprendendo Geografia – Biblioteca IOWA

Aqui pode-se obter “Educação de um Geógrafo de Carl Sauer” de forma completa

(tema já abordado antes aqui).

Quão comum é a ambição de um jovem em tornar-se geógrafo? É um interesse improvável para se afirmar cedo ou para ser admitido aos companheiros, ou a si mesmo, em idade escolar. Na universidade, como sabemos muito bem, a preferência manifestada e efetiva por cursar disciplinas da geografia (e o sucesso em obter boas notas) é uma indicação pouco significativa de uma promessa futura. O estudante pode ser iludido por contatos temporários e por seu entorno, assim como pelas qualidades atrativas de seu professor. Quando ele é desvinculado destes incentivos pode cair na inatividade, e depois de algum tempo não se ouve mais falar dele. Como podemos descobrir a aptidão, o interesse emergente, a promessa da continuidade de um crescimento autônomo? Esta é nossa primeira preocupação. Se selecionarmos bem, metade do nosso problema estará resolvido.

(…)

Geográfo a moda antiga. Carl Sauer

Carl Sauer

Pode se reconhecer uma inclinação prévia pela geografia antes que se afirme como escolha deliberada? A característica mais primitiva e deliberada, deixe-me dizer, está ligada aos mapas e por pensar-se por meio deles. Estamos de mãos vazias sem eles, seja na sala de conferências, ao estudarmos, ou no trabalho de campo.

Mostrem-me um geógrafo que não precisa deles constantemente, nem os queira ter ao redor, e terei dúvidas se fez a opção correta na vida. Apertamos nosso orçamento para adquirir mais mapas, de todos os tipos. Nós os colecionamos sejam os de postos de gasolina ou os de lojas de antigüidades. Nós os desenhamos, ainda que mal, para ilustrar nossas conferências e nossas pesquisas. Por pouco que um membro de nossa sociedade saiba sobre a atividade de um geógrafo, se ele necessita de informações que requerem um mapa, ele nos chamará. Quando ocorre de geógrafos encontrarem-se onde mapas são exibidos (não importa que tipo de mapas) eles comentam, recomendam e criticam.

Mapas acabam com nossas inibições, estimulam nossas glândulas, mexem com nossa imaginação, soltam nossas línguas. O mapa fala através das barreiras de linguagem; às vezes é reivindicado como o idioma da geografia. A expressão de idéias por meio de mapas nos é atribuída como vocação comum e paixão. Até mesmo no período mais fundamentalista desta Associação os que se dedicavam aos mapas eram admitidos em seu seio.

(…)

O geógrafo e o “geógrafo-por-ser” (geographer-to-be) são viajantes de fato quando podem, na imaginação, quando não há outro meio. Não são daquela classe de turistas que são guiados por profissionais do turismo pelas rotas das principais excursões com suas atrações estreladas, nem se hospedam em grandes hotéis. Quando estão de férias podem passar longe dos lugares que se supõe que devem ser vistos e passar por atalhos e lugares desapercebidos onde desfrutam de um sentimento de descoberta pessoal. Gostam de andar a pé, fora das estradas, e lhes agrada acampar no fim do dia. Até mesmo o geógrafo urbano pode ter a necessidade de escalar montanhas desabitadas.

(…)

A vocação geográfica se fundamenta em observar e pensar sobre o que há na paisagem, no que foi chamado tecnicamente o conteúdo da superfície terrestre. Por isso não nos limitamos ao que é visualmente observável, mas procuramos registrar o detalhe e a composição da cena, fazendo perguntas, confirmações, itens ou elementos que são novos ou que desapareceram.

Este estímulo mental devido à observação do que compõe a cena pode derivar de uma característica primitiva de sobrevivência quando tal atenção significava evitar o perigo, a privação, ou perder-se. Nos meus dias de trabalho de campo em áreas atrasadas do México aprendi a aceitar com confiança a competência em geografia e história natural dos guias nativos.

Eles sabiam como interpretar a configuração do terreno, ter um mapa mental, notar quase que qualquer mudança na cena. Habitualmente podiam identificar as plantas e não se enganavam sobre o grupamento sistemático ou sobre a associação ecológica.

(…)

Alguns de nós têm este sentimento do significado da forma, outros o desenvolvem (nesses considero que já estava latente) e alguns nunca o adquirem. Há os que são rapidamente alertados quando algo novo entra no seu campo de observação ou desaparece dele. Uma das recompensas de se estar no campo com estudantes consiste em descobrir os que são rápidos e afiados na observação. E, então, há aqueles que nunca vêem qualquer coisa até que as apontemos.

Neste momento filtramos os recrutas que podem iniciar, se a geografia é uma ciência de observação. A premissa aqui é de que construímos a partir das coisas que são vistas e analisadas, porém transitoriamente, até a comparação com dados de outro lugar, de outra pessoa, ou deduzidos a partir de um passado que não pode ser visto.

(…)

Parece apropriado então destacar a qualidade da geografia como campo não especializado. O pesquisador deve tentar obter tudo o que puder de perspectivas e habilidades especiais daquilo que lhe chama a atenção. Porém, nossos maiores interesses não recomendam uma diretriz individual. Temos uma situação privilegiada que não devemos abandonar.

Sozinhos ou em grupo tentamos explorar a diferenciação e as interpelações dos aspectos da Terra. Damos as boas vindas a qualquer trabalho competente de qualquer fonte, e não reivindicamos nenhum direito de propriedade. Na história da vida as formas menos especializadas tenderam a sobreviver e a florescer, enquanto que tipos auto-limitados se tornaram fósseis.

Talvez aí esteja o significado da analogia para nós. Aqueles tipos muito diferentes de mentes e de inclinações encontram uma associação congenial e compensadora, desenvolvendo habilidades e conhecimentos individuais. Prosperamos com a hibridização e a diversidade.

(…)

Por trás do que estou dizendo está a convicção de que a geografia é primeiramente todo conhecimento que se obtém por meio da observação, aquele que é ordenado pela reflexão e por um novo exame das coisas que as pessoas têm visto, e aquele que a pessoa experimentou a partir de seu contato pessoal a partir da comparação e da síntese. Em outras palavras, a principal formação do geógrafo deveria vir, onde quer que seja possível, pelo trabalho de campo. Aqui a pergunta relevante não é se ele adquire prática a partir de técnicas cartográficas, mas se ele aprende a reconhecer as formas que expressam

uma função ou um processo, a ver os problemas implícitos na localização ou na extensão da área, a pensar na articulação com a sua ocorrência ou a sua ausência. A classificação das formas, seja do relevo, da vegetação ou da cultura, é opcional; o importante é tomar consciência de como a forma começou, reconhecer tipos e variações, sua presença ou ausência, funções e derivações, em suma, cultivar o sentido da morfologia.

(…)

Não é preciso dizer que não é tarefa nossa cruzar o umbral dos juízos de valor. Estamos amplamente envolvidos no estudo do comportamento humano; é normal e razoável que estejamos preocupados em quando o homem agiu bem ou mal. A ciência social como é praticada hoje não substituiu a filosofia moral. Como estudamos o modo dos homens se utilizarem dos recursos de que dispõem, distinguimos entre o bom e o mau uso agrícola, entre o uso econômico conservador e o gastador ou destrutivo. Ficamos aflitos com o empobrecimento progressivo de partes do mundo. Não gostamos da erosão do solo, da devastação da floresta ou dos fluxos poluidores.

Não gostamos deles porque são feios e denunciam pobreza. Podemos fazer cálculos sobre a perda de produtividade, mas também refletimos sobre a malversação como algo mais do que um assunto relativo a lucros ou prejuízos. Estamos conscientes de que o que fazemos determinará o bem ou o mal para as vidas que virão depois das nossas.

Por isso, nós geógrafos não podemos, antes de tudo, deixar de pensar no lugar do homem na natureza, em toda a ecologia. A intervenção do homem no mundo orgânico e inorgânico e as alterações que ocasionou aceleraram-se de tal modo que se pode ficar tentado a abstrair o presente e a escapar para o futuro onde a tecnologia terá domínio sobre todos os assuntos, e assim nos prometer perdão e redenção. Mas será? Este é o caminho ao qual estamos predestinados? É o tipo de mundo que queremos?

O moralista vive afastado das cotações de mercado e seus pensamentos se guiam por outros valores. Na geografia acadêmica não há nenhum mal que uma geração próxima forte não possa solucionar. Podemos ter a sucessão de que necessitamos se nos liberarmos o quanto seja possível para que cada um faça o melhor do goste e que possa fazer. Não é necessário, por definição, que seja prescrito o que eles farão ou os métodos que utilizarão. A liberdade acadêmica deve sempre ser novamente obtida.

Ciência vs Pseudociência

7 out

ciência versus pseudociência

A falha da ciência

O que há de blogs distorcendo a ciência, por motivos diversos que se complementam para um único objetivo de criar alarde, não é brincadeira!

A mídia há muito já percebeu que tragédias e manchetes escandalosas vendem mais. E não é diferente com blogs e sites: quanto mais apocalípticos, quanto mais vender “a verdade escondida”, mais serão compartilhados em sites de relacionamentos.

Um cientista não é vil, onipresente e muito menos um ser especial.  Ele não precisa controlar as pessoas com o seu poder da informação.

A trajetória de um cientista Brasileiro é muito fácil, apesar de não ideal: alguém de uma classe média que, por incentivos durante sua infância, optou por uma área de pesquisa para sua vida.

Com certo conhecimento de base, cursinhos, dedicação (infelizmente, condicionada ao meio socioeconômico de seu nascimento e vida) ingressou na faculdade.

Entre cervejas, romances, amizades, leu muitos livros, debateu com professores e colegas, entrou em grupos de pesquisas, leu artigos de idiomas que ele nem sabia que existia, participou de simpósios, escolheu uma área para se aprofundar, e ali fez iniciação científica, TCC, mestrado, doutorado, pós-doutorado e, com sorte de ser docente, orientou e ensinou novos futuros pesquisadores.

Veja: tudo isso é bastante humano. Em nenhum momento o cientista foi chamado para uma seita secreta e fez promessas de esconder a verdade da sociedade, a qual “blogs” milagrosos resolvem desvendar.

Claro que a Mídia, esta sim tem interesses próprios e utiliza a sua vontade coisas da ciência. Não é a ciência que é por si só distorcida, mas o meio de comunicação da ciência com a população.

Aí que está o problema: as pessoas não confiam mais na ciência, porque não confiam na mídia, mas ninguém fora do círculo acadêmico costuma buscar fontes científicas em sua origem, pois esta é difícil, cheia de regras, linguagem própria, normas, esquemas lógicos ou estatísticos que, ao mesmo tempo em que a fazem da ciência algo mais sério e realista, a tornam esquisita, estranha e “secreta”.

Uma das premissas da ciência é: tudo é discutível, não há verdade plena. E as pessoas veem a ciência exatamente o oposto disso, como algo que tenta nos enfiar a verdade goela abaixo, como uma pílula no SUS… É claro que nenhum cientista quer que sua pesquisa de anos e anos seja tida como errada, e seja destruída por uma nova teoria de um novo (ou grupo) cientista mais jovem. Mas isso acontece a todo o momento.

Claro também que os cientistas podem ser patriotas, cheios de carga culturais que definem suas vertentes, não os tornando imparciais (ainda bem!)… Mas como a ciência é feita por pares (várias pessoas avaliam o que  outro faz, desde seus objetivos, a, principalmente os métodos) isto tende a ser diluído.

Por isso é importante que a ciência se traduza para uma linguagem mais acessível, inédita e interessante. Ela tem potencial e poder para lembrar as pessoas do porque ela surgiu, que era justamente explicar o que parecia inexplicável – e não controlar a mente das pessoas.

Blogs que geralmente colocam nomes gringos, nomes de instituições e estudos explicando “o fim do mundo” ou “conspirações internacionais” chamam a atenção das pessoas que por si só tendem a  misturar fé com ciência. É uma pseudociência, irreal, que busca estimular os instintos do Homem (de suspeita, medo, curiosidade, afeição pela tecnologia, etc.). Mas estes blogs nunca listam a fonte da pesquisa real, para que seja avaliado o método em que tal estudo foi feito. E como chamar isso de ciência, então, se o método não é avaliado, demonstrado para todos?

Não importa o resultado de uma pesquisa, deve-se sempre desconfiar do método em que ela foi feita. O procedimento. É isso que é cobrado de qualquer pessoas que busca entrar na ciência…  Mais vale a pergunta “como você chegou a esta resposta” do que a resposta por si só.

Pseudociência versus Ciência

Vamos fazer uma analogia com uma super-receita de bolo.

Uns destes blogs pseudocientíficos colocariam:

“Cientistas russos, guiados pelo dr. Dostrovkisy, da Universidade  de Moscou, demonstraram que a grande mídia gastronômica aliada a instituições científicas, sempre nos ensinou a fazer o bolo errado. O doutor e seus alunos conseguiram criar uma receita cujo bolo é feito sem ovos, leite, farinha e forno.

O pesquisador Sueco Fidór Aztivom, que participou da pesquisa, desvendou grande conspiração dos produtores de ovos, leite, farinhas e fornos: “isso tem a ver com a grande produção mundial capitalista para estes elementos, incluindo ainda, substâncias tóxicas viciantes nos mesmos, perpetuando a necessidade das pessoas de comprar e financiar estes produtores”. Análises químicas profundas mostraram que estas substâncias são o que tem causado aumento do câncer nos humanos desde 1789 – coencidentemente uma das primeiras datas dos maçônicos adentrando nas grandes indústrias alimentícias.

“As receitas sem ovos, farinhas, leite e forno para se criar bolos mostraram grande aumento de vontade, felicidade, autoestima e criatividade nos pacientes monitorados”.

Aí o problema surge: não há indicações reais de tais estudos. Ao procurar nome destes autores, pesquisas ou universidades, a coisa se torna redundante: há milhares de blogs falando do mesmo, sem nunca conseguirmos chegar numa fonte confiável que mostre como a pesquisa realmente foi feita, uma foto nova, um dado confiável novo. E toda pesquisa tem que ser publicada em algum lugar: cade este lugar?

Poxa, será que é tão difícil desmascarar o que é pseudociência?

Ninguém também quer saber o que significa o “ovo, a farinha, o forno e o leite” nas receitas. São elementos que exigem que, cada um por sua vez, seja analisado para que se entenda todo o processo da criação da massa do bolo, toda a história da culinária de bolos etc. Isso demanda tempo, conhecimentos de base e se deparar com linguagens difíceis e superação de limites intelectuais. Aí a ciência se torna algo além das pessoas não-cientistas, que passam a desconfiar (como é característica de qualquer ser humano) de tudo que aquilo que não conhecem.

A ciência que surgiu justamente para trazer conhecimento e nasceu para que as pessoas não temessem a natureza (o que são trovões? O que são terremotos? O que são as doenças?) tornam-se falhas, circunscritas a poucas pessoas. Tornam-se tão misteriosas quanto aquilo que propõem a responder.  Aí abrem espaço para teorias conspiratórias, de fácil linguagem e atraentes.

Como se vive no lugar mais frio do mundo?

4 out
Como se vive no lugar mais frio do mundo

Maarten Takens – Oymyakon, A cidade mais fria do mundo.
Cadeia de montanhas impedem a dispersão de massa de ar frio do noroeste no inverno.

Como será viver no lugar mais frio do mundo?  Diversas pessoas se fizeram essa pergunta, mas as exigências físicas e financeiras para uma empreitada ao vivo  é um pouco complicada. Para não ficarmos na curiosidade, compilamos aqui relatos e fotografias de viagens recentes e fontes oficiais, (pois a maioria dos sites distorcem Oymakon com Yakutsk), afim de mostrar como é habitar os extremos.

Abordaremos:

Qual é o lugar mais frio do mundo?

Como se vive neste lugar tão frio!?

Qual o lugar mais frio do mundo e como ele foi habitado

Sem rodeios: o povoado com o maior pico negativo ( -71.2º C)  de temperatura é Oymyakon (Oimekon) . Esta temperatura foi registrada pelo cientista russo Sergey Obrychev em Janeiro de 1924. Em 6 de fevereiro de 1933, uma temperatura de  – 67,7 °C  foi registrada na estação meteorológica do povoado. Por falta de um recorde, a cidade detém dois!

Contudo seu título – se consideramos temperaturas médias do inverno – é dividido com povoados próximos e com Yakutsk (capital de Yakutia ou Sakha), que possui temperaturas baixas muito semelhantes e recebe o título de cidade mais fria do mundo.

Ou seja, em questão de picos, há Oymyakon, um povoado com poucos habitantes.
Em questão de média, há Yakutsk, cidade capital da região, dentre outros povoados, que possuem temperaturas semelhantes.

Não é para menos, já que ambos locais são “irmãos” e distam “apenas” 684 km em locais semelhantes, estando ambas dentro da República Yakutia\Iacútia* (ou Sakha) que faz parte da Federação Russa e do chamado Polo Frio, muito próximo ao Polo Norte.

Oymyakon

Localização de Oymyakon – MailOnline

Tal como boa parte da Rússia, a Iacútia é uma área com diversos povos, de diversas origens, línguas e fés diferentes,  compostas de grupos mongolóides e de asiáticos que já habitavam a região há milhares de anos antes da migração para a américa do norte. Contudo, a região foi posteriormente povoada por vários outros povos “brancos”, como tártaros, cosacos, eslavos…

Em um passado mais recente e formal, no século 13-14, turcomanos chegaram ao lugar, culminando com criação da estabilidade semi-sedentária e originando a Iacútia propiamente dita. Nesta ocupação também ocorreu mistura com os povos locais do leste siberiano (Evens e Evenkis, que habitavam também parte da China e Rússia), originando os Sakhas.

Atualmente a república Iacútia é habitada não só pelos descendentes turcomanos Sakhas, e dos povos nativos, mas também por outros russos (principalmente enviados como agentes do governo durante a conquista e unificação do território da Federação Russa no século 17, ou como prisioneiros e asilados,  ao longo da história da Rússia, desde épocas czarianas até a União Soviética). O povo Sahalyary, nada mais é que a descendentes dos Sakhas com o Russo branco.  É essa mesma origem etnológica a de Oymyakon e seus 500 habitantes.

Voltando para a temperatura:

Para se ter ideia, a média de temperatura no inverno em Janeiro (afinal, lá é hemisfério norte) em Oymyakon é de -50°C, e enquanto eu escrevo este artigo, lá (que agora é outono e à tarde) está com -11 º C.   Mas o mais impressionante é a amplitude térmica: no verão pode chegar até 30ºC, 40ºC positivos.

Já o lugar mais frio no mundo, sem ocupação permanente, é a estação russa de pesquisa Vostok, na Antártica (hemisfério sul): −89.2 °C em 21 de Julho de 1983.

Bem, já sabe que Oymyakon é o lugar  (local habitado) mais frio do mundo, junto de Yakutsk  e região. Mas como alguém consegue viver lá?

*Iacútia vem de Yakut, que é uma palavra turcomana para “pedra preciosa”, o que o mais tem na região (20% da produção de diamante mundial) e atualmente compõem a economia desta região fria. Yakult, a bebida, veio do esperanto ” Jahurto”, que é Iorgute, o qual veio também do turcomano, Jugurt. Seja como for, os Yakuts bebiam bastante iogurtes (leite fermentado, típicos de lugares frios), como os outros povos turcomanos o faziam e pode ser outra explicação plausível para o nome do povo.

Oymyakon - lugar mais frio do mundo

Oymyakon – MailOnline

Como se vive no lugar mais frio do mundo

Conseguem viver lá principalmente através da caça e pastoreio. Na verdade, a aldeia nasceu na década de 30, patrocinada (e obrigada) pelo governo soviético  como um ponto de parada para outras cidades da Iacútia até fontes termais (que originam o seu nome) , as quais fornecem água não-congelada para rebanhos e pessoas mesmo durante o inverno.

pastor

Pastor – MailOnline

Mas como não são todos animais que ali sobrevivem, muito menos plantações (raramente realizadas, possível só no verão), o cardápio é feito basicamente de renas, alces , vacas, cavalos e alguns peixes  (pesca por quebra de gelo).  Já os nutrientes vem de alguns comércios (como grãos) e principalmente do leite fermentado (iogurte). A vida deles então é fundamentalmente voltada para a caça selvagem e abatimento de criações para sua própria alimentação e vestimenta, ou para venda de comida e também vestimenta para pastores que passam por ali. Isso é um pouco diferente do restante da república Sakha, que sobrevive com a exploração de recursos naturais (pedras preciosas e carvão) e pequena atividade industrial – produção de mais de 20% dos diamets no mundo todo. Há um raro e escasso turismo ao povoado de Oymyakon.

O cavalo Sakha, ou Yakut, é um dos meios de transporte mais usuais e antigos na Sibéria, utilizados na caça à renas (sim, eles montam neles). É um animal que agora existe selvagem por lá ou em crias caseiras. Sua domesticação em larga escala está sendo retomada apenas atualmente, sendo o principal meio de transporte do povo, junto de trenas (construídas de forma quase descartável com corda, árvores da taiga e nozes!). Junto do tradicional cavalo, há a tradicional criação de renas, que, sem dúvida foi um input para a colonização humana na região tão fria, inserindo alí o semi-nomadismo há milhares de anos. Tal pastoreio, inclusive foi incentivada nas últimas décadas pelo governo soviético para o desenvolvimento da região (e diminuir o nomadismo e seu tradicional “espírito rebelde” – vide as várias guerras travadas entre Russos e povos nômades). Atualmente, no entanto, o Estado russo não apoia nenhuma atividade tradicional do povo. Sua atenção é apenas para exploração de recursos minerais para fins próprios.

A roupa que eles utilizam é de pele de renas, e existem diversos modelos e detalhes para situações variadas: roupas internas (dentro da cabana), situações externas (caça, passeio), roupas para dormir, etc. São milhares de anos (aprendidos com os Even) aperfeiçoando essa tecnologia, em uma questão de vida ou morte. É comum, por exemplo, deixar roupa fora das cabanas (caso ela pegue fogo) e carregar reservas. “Exploradores” que foram para região perceberam diversas vantagens e desvantagens deste vestuário em comparação com roupas modernas para frios extremos. Entre as vantagens há manter o suor dentro do corpo (o que aquece), melhoria contra cortes de árvores da Taiga, melhoria nas botas, existências de gorros especiais para vento, etc, com desvantagem do volume, conforto, o próprio suor (que congela ao se retirar a roupa) e manuseio fora do corpo (elas podem congelar sem o calor do corpo humano). Os habitantes de lá, portanto, variam o uso de roupas tradicionais com roupas mais modernas, como se vê na maioria das fotos (galerias no final deste pos).

Algum comércio, como de bebidas e utensílios modernos, é fornecida por uma única loja, assim como toda educação escolar é provida por uma uníca  escola que raramente fecha (apenas em temperaturas extremas, que caem geralmente com as férias de inverno).  Relatos, confesso, dizem que as escolas fecham a -52ºC, mas informações de blog de viajantes relatam isso apenas para a capital Yakutz.  Seja como for, quando atividades oficiais são paradas em Oymyakon, as pessoas continuam na rua. Mesmo que você não enxergue nem 10 metros a sua frente  durante uma precipitação de neve à -55ºC, crianças ainda brincam de hokey e, acredite, futebol. Atividades mesmo se encerram abaixo de -60ºC, mais ou menos.  Quando se passa destes graus de temperatura, somado com a escuridão, as pessoas saem de casa apenas em casos extremos.

A resistência deste povo ao frio é bastante adaptada, sendo que alguns guiais locais mal utilizam luva para tirar fotos e colocam a mão dentro da água sem maiores problemas.  Inclusive, há relatos de que entrar e sair da água (desde que se resista ao vento quando se volta à superfície terrestre) é um dos melhores treinos para resistência ao frio.

Comércio lugar mais frio do mundo

Comércio local – Mail Online

O aquecimento e geração de energia elétrica da cidade é realiza pela queima de carvão (quando é possível obter) e lenha, já que há florestas de taiga pela região. Isto ocorre em uma única usina, que, a todo custo deve ser mantida funcionando: se ela for desligada por muitas horas, tubulações podem congelar e quebrar afetando à todos. Cada casa, obviamente, também possui seu sistema de aquecimento próprio. A energia por fontes térmicas é a mais utilizada no mundo, apesar de ser o “patinho feio”, contudo em locais pobres, de baixa tecnologia, distantes de centros econômicos e natureza extrema, como neste local (e em boa parte do mundo), é caríssimo e impossível fontes “alternativas”.

O alívio vem no verão, quando comunicação com outras cidades é mais fácil, não só por temperaturas quentes (até 30º C) mas com o aumento do tempo de Sol (até 21 horas no verão, contra 3 horas no inverno). Isto aumenta o comércio local, principalmente nos meses de Junho à Agosto, quando vem o abastecimento de carvão. Mas nem pense em eletrônicos ou carros – eles não funcionam no inverno, sendo que há a dilatação térmica de componentes elétricos e a própria perda de energia nas baterias dos carros (por isso, dentre outros motivos, que quem ali tem automóvel não o deixa desligar durante os dias mais rígidos).

Transporte de carvão

Transporte de carvão – MailOnline

Em compensação, há postos de gasolinas (visto que a mesma congela apenas à -100ºC) na cidade e em sua estrada para outras cidades do “polo frio”, a M56 Kolyma Highway, (construída por prisioneiros, cujos ossos e cabanas ainda estão ao longo da estrada, chamada de “estrada de ossos”).  Contudo, muitos caminhões, jeeps e tratores ainda utilizam diesel, o qual congela a -50º C! Pois bem: a solução é acender fogueiras (principalmente à noite) ao lado destes automóveis, que se mantém ligados o tempo todo.

Posto de gasolina

Posto de gasolina e querosene – MailOnline

Dessa forma no povoado existe até transporte público para outras cidades e tratores, que fazem a manutenção das vias públicas.

habitação

Habitação local – MailOnline

O mais impressionante, no entanto é o sistema de banheiro: os prédios da vila (todos de madeira, barro e pele) possuem banheiros fora, alguns inclusive públicos. Já não basta morar no lugar mais frio do mundo, ainda tem que sair lá fora quando apertar!

Outra coisa impressionante é o funeral. É bastante complicado e contra-intuitivo enterrar um caixão em um solo permanentemente congelado, demorando até 3 dias para derreter ele e realizar de fato o enterramento. Nem sempre foi assim, pois antes da intervenção soviética, os povos comuns tendiam a embrulhar e pendurar seus mortos. Isso evitaria um fenômeno comum neste tipo de solo: com a amplitude térmica da região, o solo dilata e contraí, dilata e contraí fazendo com o que tiver enterrado volte a ser empurrado para a superfície. Apesar da inserção da prática do enterro, o Xamanismo ainda é o guia espirital de boa parte da população de Yakutia, sem muitos relatos de suas especificidades, muito vinculadas ao xamanismo do povo Even e bastante ligado à caça, doenças e educação popular.

Agora, você deve estar se perguntando porque há tantas poucas fotos e filmagens por aí da região nos extremos de inverno. Temos a explicação.

Como falamos, os componentes eletrônicos estragam facilmente, sobretudo a bateria. Para piorar, algumas câmeras, como outros metais, grudam na pele. Dessa forma apenas câmeras analógicas muito bem utilizadas funcionam – quando o próprio filme delas não congela e quebra. Daí são raros os registros do lugar mais frio do mundo.

Mini Termousina

Mini Termousina. Fontes não poluídoras e vegetarismo não são opções viáveis neste local do mundo – MailOnline

:: este post foi baseado na reportagem da MailOnline e na entrevista com Nick Middleton, repórter da National Geography e professor de Geografia de Oxford, que fez cobertura completa por lá e outros locais extremos, como frios, quentes, úmidos e secos. Há um site de um guia local, que mora na capital da república Sakha e faz diversas reportagens (e participa de outras) – é dele  a maioria das fotos. Inveja né!

Mais fotografias de Oymyakon e sua região  podem ser vista na galeria de Maarten Takens (Creative Communs), e nas excelentes galerias de Bolot e Mikael Strandberg que infelizmente são fechadas para cópias de divulgação, o que acho uma tremenda besteira =p

Você também pode visitar Yakut pessoalmente e acompanhar alguns relatos. que também influenciaram este post. Quando eu for lá pessoalmente um dia, atualizado aqui ;)

Confira !

Nasa é desligada

1 out
nasa desligada

(brincadeira gente, isso não irá acontecer logo)

Nasa é desligada por falta de orçamento

Quem estava acostumado a entrar no site da Nasa, ou acompanhar a agência, percebeu que desde hoje o site está off-line.

E o pior: não é apenas o site. Milhares de funcionários foram dispensados, o corte orçamentário foi quase total e não há previsão de retomada – apesar de que isso já aconteceu antes, e não se passou de um mês deste estado.

Na NASA, desde a copeira que esquentava o café, o estagiário que atualizava as fotos dos sites, até o engenheiro chefe de alguma pesquisa sobre propulsores, está em casa, de pijama.

Vamos resumir a história para vocês: Não houve acordo (entre democratas e republicanos) sobre o orçamento de 2014 para várias agências do governo, de modo que o mesmo não foi liberado. Isso obrigou a diversas pessoas (milhares) a ficarem em casa, e outras irem trabalhar quase como voluntários.

Oras, as consequências SE ISSO FICAR A LONGO PRAZO são várias: a NASA é sem dúvida a maior financiadora de pesquisas de tecnologia espacial e monitoramento da Terra, desde produção de tecnologias em engenharias, geologias, biologias até em educação escolar. São eles que desenvolvem e mantém diversos satélites que monitoram asteróides, furacões, correntes marítimas, nebulosas etc…  É da NASA a tecnologia que mantém o sistema global de posicionamento – GPS, a qual seu carro utiliza. (mas não se assuste, o GPS é importante para a militraização dos EUA então não fo desligado, além de que há sistemas parecidos da EUROPA, CHINA e RÚSSIA).

Basicamente apenas alguns acompanhamentos irão se manter ligados, como dos astronautas que já estão em estação espacial. Se não os astronautas lá terão que voltar de carona. As missões que estão em curso e valhem muito dinheiro (como monitoramento de sondas), também irão continuar de forma reduzida.

Claro que o governo americano não parou totalmente. Satélites espiões dentre outras prioridades de defesa militar estão operante, como relações de exteriores, agências federais de policiamento e justiça, etc… As instituições estaduais, como escolas, saneamento e hospitais, independem do sistema financeiro federal (tal como aqui) então também continuam.   Mas agências de pesquisa federal, no geral, como a Nasa e outras de meio ambiente, saúde, educação, etc, foram postas de lado. Até mesmo a Estátua da Liberdade foi fechada (como outros parques, museus, etc).

ps: o sistema de monitoramento de asteróides também não foi desligado.

Ou seja, é sabido que a Nasa possui alguns cortes de orçamento (principalmente em pesquisa civil), mas não foi o caso desse desligamento de outubro. A Nasa apenas sofreu igual todas as outras agências federais de pesquisa, as quais todas foram temporariamente encerradas. Isso tem muito, mas muito mais a ver com uma briga interna entre os partidos políticos dos EUA (os republicanos são contra o programa de saúde democráta, do Obama), do que com OVNIS, Área 51 ou Apocalipse.

Você pode ler aqui uma cobertura completa sobre o desligamento do governo americano.

Como se formou a areia da praia : É possível uma investigação forense por ela?

30 set

“Como se formou a areia” é a pergunta que não sai de sua cabeça no verão.  Bem, responderemos para você:

  • O que é areia e a praia
  • Como se formou a areia da praia
  • O que determina o tipo e origem de areia nas praias?
  • Cor das areias.
  • Como se formou a praia
  • Pode um detetive determinar um assassino ou origem de um corpo pela areia ou barro?
  • Pequeno teste foresense para você

Zacarias já estava armando a rede e finalizando o bote quando, de longe, viu as gaivotas sobre um difuso corpo. Não tardou a soltar um ave maria, deus do céu e jesus cristo me acuda, quando viu que tratava-se de um copor humano.

Em mais de 4 horas depois, o delegado e o legista, vindo da cidade do outro lado do mar,  puderam chegar até o local, parando com uma pequena lancha voadora ao lado do monte de gente que ali formou:  pescadores, carangueijos e cachorros.  Ninguém duvidava que aquele homem havia há muito falecido, tanto que o delegado, com aversão a morte que tinha, foi o primeiro a desmaiar.

Acontece que o pequeno povoado da ilha de Areia Guaraciaba nunca antes vira um assassinato, muito menos em uma das praias mais distantes s e mais inacessíveis, fechadas ao turismo ou a visitantes, de forma que ninguém sabia protocolos ou procedimentos a serem tomados. Coube ao próprio legista ligar para o famoso detetive de Paiçandó,  que muito habituado com a situação e fã de todos os CSIs já produzidos, mandou:

- Faz uma lista de suspeitos, de todos aqueles que alugaram barco ou chegaram há pouco na cidade e que possam ter ido para praias, recolhe a areia das botas, bolsos, roupas e chinelos, que estou chegando.

Olá,

Confesso que não tenho televisão faz mais de um ano, então não sei como andam os seriados americanos, como CSI e BONES, mas lembro que era bem comum descobrirem na ficção (e também na realidade)  o local da morte ou quem é o assassino pegando a areia ou barro na bota ou corpo.

Um dos profissionais que faz isto, dentre várias outras coisas bacanas, é o Perito Criminal em Geologia Forense, existindo mais de 30 na Polícia Federal brasileira.

Há um exagero, claro, mas também há uma razão de ser. Cada praia possui um sistema de aporte (chegada) de areia próprio, sendo que praias muito diferentes, possuem areias muito típicas, associadas a outros materiais, como material orgânico, silte, argilas, conchas, lixo e demais minerais, compando uma assinatura.

 

Você verá como cada uma se formou, e como um perito pode tirar inferências do crime.

  • Primeiro, vamos definir o que é areia e textura:

Areia é tamanho, e não mineral. É um fragmento de rocha, que pode ser de qualquer tipo de mineral.

Para ser exato, no Brasil, consideramos areia como todo fragmento de rocha de 0,06 mm até 2 mm. Abaixo disso, há o silte (0,06 e 0,002 mm ) e argila (menor que 0,002 mm). Acima, o grânulo, seixo, matacão, rocha, etc

Os intervalos de tamanho (escalas)  variam conforme instituições e países.

A soma dos diversos elementos, como areia, silte, argila chama-se TEXTURA.

tamanhos de areia

Diversos tamanhos de areias e grânulos.
fonte: http://silicespourtous.com/silica-sand-granulometry

Existem formas físicas de dividir uma amostra em diversas frações  e tamanhos de minerais, para determinar sua  ( amostra pode ser um punhado de “areia de praia” ou um “de solo”). Paar isso, usamos peneiras especiais, em uma análise que se chama Análise Granulométrica.

Daí temos a primeira conclusão: cada areia tem seu tamanho, variável… pode ser maior, pode ser mais grosso, e é facilmente determinado por peneiras. Cada praia (e solo) terá a prevalência e percentagem de areias (textura) diferentes.
A argila e alguns tamanhos de silte são muito pequenos para se prender em uma peneira, então são separadas por outros métodos, sendo o mais comum por decantação.

A argila também um mineral que já foi areia, mas depois de muito tempo sofrendo ações do clima e organismos, com alterações físicas e químicas, se formou no que chamamos de mineral secundário.

Há outras formas de fazer a análise granulométrica (porcentagem de tamanho dos fragmentos), como a laser (Malvern) ou por observação de microscópios (micromorfologia).

peneiras para areia

Jogo de peneiras industriais para análise
Fonte: http://img.directindustry.com/

Com experiência, na frente de um solo, um pesquisador pelo tato podo estimar se existe mais silte (textura de um talco e serrilhagem), mais argila (mais pegajoso,  plástico, barroso), ou mais areia (mais áspero, como uma lixa, e visível a olho nu).

 

  • Introduzindo a areia da Praia

Vimos que areia é só um dos tamanhos dos fragmentos de rochas, que chamaremos de sedimentos, não importando de que tipo de rocha ela se formou. A areia da praia não é composta apenas de areia (no sentido granulométrico). Com toda certeza é quase totalmente feita do grão de areia, mas há várias outras coisas que podem estar “na areia de praia”, como silte, argila, matéria orgânica (fragmentos de raízes, insetos, conchas, peixes, algas) e até lixo.

Resumindo: Então os termos se confundem: areia da praia e areia.  O primeiro, com várias coisas que não só “areia” (pensando em tamanho).  Confuso?

  • Como se formou a areia da praia: Origem e deposição

A areia se formou pela erosão, ou seja, desgaste físico de rochas e outros fragmentos de rochas maiores. Estes desgastes são diversos, como : chuva, raízes, impacto humano, organismos vivos,  geleiras (que não existem atualmente no Brasil), abrasão de rocha com rocha, etc. Na ciência, chamamos isso de Intemperismo ou Meteriorização. Em alguns casos mais raros,  e não muito falado por aí, é que areias podem se formar no próprio oceano\praia, por ação das ondas e organismos submarinos.

Intemperismo físico modifica o tamanho e ângulo das rochas e fragmentos. Intemperismo químico o modifica quimicamente, criando argila e “dissolvimento” minerais (para tanto, quanto mais calor e água, mais forte será a alteração química).

É como um miojo… fisicamente você pode o quebrar de várias formas, diminuindo cada vez mais o tamanho do macarrãozinho, mas suas propriedades (cor, textura, cheiro, não irá variar – só o tamanho mesmo. Isso é a alteração física.  Para o modificar quimicamente, você precisa de água e calor, ai a textura, gosto, cheiro, e tudo mais irá modificar.

intemperismo físico

Intemperismo físico: A rocha quebrou em fragmentos menores. Neste caso, provavelmente por dilatação térmica (mudança de temperatura)

Intemperismo químic

Intemperismo químico: A rocha está virando argila (mancha mais avermelhada), perdendo ferro para o solo e mudando de cor em sua volta (oxidando). Com o tempo de milhares de anos, a rocha dará lugar a um solo.

O tamanho da areia então vai variar conforme estes desgastes e conforme as rochas de origem. Algumas são mais facilmente desgastadas, enquanto outras, são mais resistentes.

Entre as mais resistentes e comuns na praia está o quartzo (quase totalmente) e o feldpsato. Há também a mica, e moscovita.

Há rochas que são formadas de antigos fragmentos, que por algum motivo, voltaram a se unir. São um tipo de rocha chamada de sedimentar, por exemplo, feitas apenas de silte e argila (chamadas de siltito e argilito respectivamente). Estas nunca irão originar areia, que é um fragmento maior do que os fragmentos formadores da rocha de origem.

O quartzito e o granito (comuns nas Serras que margeiam parte do nosso litoral), dentro várias outras rochas possuem o mineral quartzo (um mineral com sílica, transparente e extremamente comum no mundo terrestre) que são as quimicamente mais resistentes. Muitos outras rochas e minerais viram argila rapidamente. Em países tropicais, com muita chuva e calor, e muitos organismos, o desgaste químico e a pedogênese é muito intensa (originando solos),  sendo que apenas rochas muito resistentes conseguem ceder as areias. Há também locais descobertos, com pouca vegetação e pouco desenvolvimento de solo (que segura a areia no meio ambiente, não deixando-a chegar no rio) , que favorecem o fornecimento de areia.

Os rios também são elementos bastante erosivos, além de escavar as rochas, fragmentando-as, elas destroem e erodem os fragmentos durante o transporte até a praia. Isso fragmenta areias e as arredondas.

Inclusive, a areia é o tamanho ideal, pois fragmentos grossos (pesados) não são carregados por longas distâncias pelos rios que tendem a perder energia. A argila é facilmente suspensa, não sendo depositada na zona costeira, sendo comumente encontrada nos estuários e prais fluviais.

Para toda essa união de vários rios, que vão se unindo cada vez em um rio maior, chamamos de bacia hidrográfica.

São raríssimos os rios que, em condição normal, não chegam ao mar. Estes chegam em lagoas ou terrenos cársticos (como cavernosos) ou ate mesmo em rios que “somem” durante períodos secos.

Alguns rios tem energia lenta, ou seja, o grau e força de descida do rio é bastante lento, fazendo-os com muitas curvas (meandros), que, estes por si só, podem criar suas próprias praias. Praias fluviais com muitos seixos ou pedregrulhos indicam energia rápida e forte do rio (como afunilamento do seu leito ou altas decrividades). Depósitos com silte, argila e areia fina indicam energia baixa.

Rio com alta energia (maior capacidade de transporte e erosão):
percebe-se que o rio não faz muitas curvas e está em um lugar com maior declividade. Percebe-se fragmentos grossos em torno do rio, que mostram a capacidade dele  de carregar fragmentos maiores. Galhos, animais, etc que por ventura cair no rio também são carregados. O próprio rio torna-se um agente erosivo e aumenta a abrasão entre os fragmentos (sendo que, com fio de água curto, as rochas batem entre si e se quebram).

Rio com baixa energia (menor capacidade de transporte e erosão):
(repare na cor escura, quer dizer que há bastante barro – argila -, em suspensão… quer dizer uma água calma, sem turbulência. Os depósitos do rio contém areia, provavelmemte. Os barrancos pequenos em volta do rio, a baixa declividade dele reforça também ser um rio de baixa energia.

A areia também pode ser transportada por outros elementos, que não os rios. Um deles, por exemplo, é o vento. Chamamos de “transporte eólico”.  Acontece, por exemplo, em dunas. A gravidade também é um elemento importante.

O tipo de transporte pode “desgastar” as arestas da areia e seixos. Uma viagem muito longa das areias pelos rios, criam areias e seixos bastante redondinhos.

No fim (mesmo que após milhares de anos), muitos “fragmentinhos” (areia e qualquer coisa que cair no rio, como fragmentos de animais e vegetais) irá chegar no mar.

Então, dependendo do tamanho e energia dos rios, distância deles com a praia, o contexto que circunda os rios (tipos de rochas, tipos de vegetação) etc, os fragmentos serão únicos ao chegar no mar.

Exemplo: Se perto da praia, os rios que chegam nela (e toda a bacia hidrográfica) tiver apenas quartztitos e uma densa floresta, povoada de rios bastante agressivos, cheio de cachoeiras, a areia que irá chegar provavelmente será maior, mais angulosa e cheia de matéria orgânica do lado.

Por outro lado, uma bacia hidrográfica com rochas com pouco quartzo, sem vegetação expressiva, rios bastante longos e meandrantes, a areia que irá chegar será em menor quantidade, e bastante fina.

Acho que até aqui respondemos já quase toda a pergunta, né? Afinal, foi assim que a areia da praia se formou, como qualquer outra areia! Cada praia tem um tipo de sedimento que chega nela, dependendo dos rios, tipos de rochas, vegetação, e tudo mais que está na bacia hidrográfica dali!.

  • A praia

Praia é uma porção de terra emersa ao longo de um corpo de água (oceano, rios, lagos) e é geralmente composta de fragmentos, como areias, cascalhos, seixos, conchas, etc. O legal é que sempre está chegando material nela pelos rios, e o mar sempre retira um outro tanto, pela corrente de deriva. Ou seja: é uma renovação constante!

Bem, já sabemos de onde vem o material construtivo da praia:  a areia dentre outros elementos. Além de chegar pelos  rios, como afirmado anteriormenete, a areia pode chegar

-> pelo mar, por correntes marítimas que andam a deriva, seguindo a costa do continente. Estas podem vir de outras praias, mais longes, e de rios que vão para o mar sem formar sua própria praia

-> rolando ou sendo transportado pelo vento e chuva de barrancos e vertentes próximos da praia, sem necessariamente precisarem de um rio. Neste caso, apenas barrancos e vertentes realmente próximas da praia poderão ser consideradas.

-> Erosão, pela ação das próprias ondas, de costões, rochedos e matacões (fragmentos realmente grandes de rochas, que uma pessoa não consegue transportar) ao longo da costa.

ps: retrabalhamento do material na própria praia existe. Muitas praias possuem areia e seixos grossos, que, com o passar de milhares de anos, são desgastados no próprio local. Mas como eu mostrei, há sempre chegada de novo material e sua retirada pelo mar, logo, nem semper os seixos ficam milhares (e nem centenas) de anos ali para serem destruídos. Principalmente que em períodos muito quentes da história da Terra, as praias são “submersas”, e, nos períodos glaciais, elas crescem de tamanho, pois o nível do mar abaixa. Estes períodos tem periodicidade de até 10.000 anos! pouco tempo geológico!

No Brasil, um país tropical e com bastante rios, fica claro que ele é o principal fator. Mas muitas praias não possuem rios, o que indicam um claro transporte por correntes marítimas, que “roubam” a areia de outras praias. Às vezes, aliás,  o vento e a corrente marítima pode ser tão forte que a praia é totalmente “roubada”.

Em outros casos, a corrente marítima favorece, por ressurgência, a formação de longas praias.

  • Areia e inclinação da praia

Bem, você já sabe como se formou a areia da praia, mas a praia também é formada por sua areia!

A praia possui uma inclinação, e esta inclinação está também condicionada a granulometria dela. Grãos finos tendem a fazer praias menos declivosas. Isso porque a areia fina absorve menos a água de ondas. Isso faz com que a água fique mais tempo sobre a areia e alcance distâncias maiores, sob efeito do “repuxo” do mar (fluxo vazante). Aquela “volta da onda” para o mar, por causa da inclinação da praia , que toda criança já observou. Este arraste é maior e, como a areia por si só será mais leve, será mais facilmente arrastada para o mar.

Ou seja, areia fina tende a permitir que o mar “lixe” a praia.

Uma areia mais grossa, e seixos, fazem a água ser rapidamente absorvida, sobrando menos água para o arraste. Essa pouca água que sobra não tem capacidade para carregar os fragmentos mais pesados.

  • Areia e cor da praia

Olhando atentamente um punhado de areia, verá várias cores: transparente, pequenas manchas brancas, pretas, cinzas… Tudo isso soma e dá uma coloração tipicamente bege ou cinza.

O quartzo é translúcido (quase transparenet) e bastante reflexivo, potencializando as cores à sua volta, além de que muito quartzo junto tende a ter uma cor acizentada (tal como papel pástico: um sozinho por si só é transparente, mas vários, em um rolinho, tem cor quase prateada).  Ele pode ter certa coloração avermelhada, acizentada, azulado, esverdeado etc.

e o feldpstado pode ser de várias cores, como branco, cinza, esverdeadoe geralmente é opaco…

a mica possui cor de verde, a presto, a várias outras, com grande potencial reflexivo e brilhante, como um espelho. Não é a toa que ela dá origem ao glitter em cosmésticos

locais vulcânicos, como o Haiti, tem bastante fragmentos de basalto, que é preto, escurecendo bastante a areia da praia.

Prais de rios e cachoeiras são escuras por possuir bastante fragmentos de granito.

Quanto mais pura for a cor do quartzo (mais branco , transparente e redondidnho for a areia) e se não existir nada em suspensão na água (como argila e matéria orgânica), mais azulada será a cor do mar, poço, lagoa ou cachoeira.

Aqui há um compilado interessante sobre cores de praias

  • Pode um detetive determinar um assassino ou origem de um corpo pela areia e barro?

Agora você já sabe que cada areia da praia tem uma textura (tamanho de fragmentos), tipos específicos de minerais, quantidades variadas de material orgânico, como fragmentos de conchas, vegetais e animais.

Geralmente pegando uma porção de areia em cada zona da praia e em profundidades diferentes  (pois cada parte e profundidade da praia, por causa das ondas terá variedade destes elementos) se terá uma idéia geral do que compoem a praia.

-> A análise (método é muito importante!) desta areia pode ser feita por observação em lupas e microscópio, com descrição de uma amostra estatística (vamos supor: 100 graos sao o bastante para representar cada zona da praia). Centrifugando a amostra, dá para separar os tipos de minerais.

-> A análise pode ser  granulométrica, determinando quantos percentos de areia final média, grossa, matéria orgânica, conchas, etc, existe em cada zona, atráves de amostras (em peso, exemplo: 500 gramas)

-> A análise pode ser química. Existem várias análises que irão determinar os minerais, por instrumentos que pegam o “espectro” de cada um, e suas quantidades, em uma amostra de solo (por exemplo:  500 gramas)

-> análise química de quantidade e determinação de minerais pesados (ferro, zinco, etc), mais raros nas praias, são bons indicadores da assinatura da praia, pois são bastante específicos de condições ambientias, rochas de origem e tempo geologico, diferente do quartzo, que existe em toda praia brasileira com idades e rochas bastante variáveis.

-> análise da biologia, desde tipos de algas, mexilhões, conchas, como bactérias, fungos, etc, também permitem criar assinaturas das praias, pois estes seres exigem condições específicas para viver.

A formação da areia da praia, e de qualquer outra, é cheia de variáveis que a faz quase ser única. Associada  outros elementos ambientais e análises diversas, é uma grande assinatura geoquímica.  Todas estas, e outras análises, bastante comuns na sedimentologia (estudos dos sedimentos), bastante usadas em várias áreas da Geografia, Oceonografia, Engenharia, Química e principalmente Geologia permitem inferir, mas não ser prova por si só, da origem de um corpo ou um assassino.

Isso porque uma sola de sapato\chinelo (provavelmente nas fendas dela) ou uma roupa cheia de areia não terá uma boa amostragem da areia da praia. Deve-se, então, escolher muito cuidadosamente o elemento que carrega as amostras (bolsos são uma boa).  Provavelmente apenas alguns elementos estarão presentes em uma roupa, como aqueles mais plásticos, menores e mais angulosos (que grudam em roupas mais facilmente). Outros muito pequenos leves, por sua vez, serão perdidos pelo vento e movimentos simples.  A areia também é facilmente lavável com água corrente, diferente do barro e sangue.

Agora, vamos a uma pequena brincadeira!

Sobre o conto que abre este blog, foi tirada uma foto da praia, onde se encontrou o corpo.

Eis a foto:

Achadas 3 pessoas que foram para praias naquele dia, e que juraram que não foram em nenhum dia, para nenhuma praia, naquela semana. Contudo, foi achado areia no bolso e meias dos três, o que os tornou suspeitos.

Analisadas por um perito em geologia forense por lupa as areias que continha na meia deles (ignore o nome das praias abaixo, deixei para curiosidade mesmo)

Com tudo que aprendeu sobre como a areia da praia se formou, consegue responder qual dos três suspeitos deve ser melhor investigado?

Até!

ps: descrição de cada foto de areias:
a primeira mostra quase totalidade de quartzo translúcido e branco, quase leitoso. Há alguamas manchas amarelas, que podem ser quarztos amarelos e feldspatos.

Em Baja Californa, que na verdade é do México e não USA, se for de lá mesmo, há sedimentos vulcânicos, de coloração preta e brilho vítreo. É um material bastante interessante chamado de black sand. Muito difícil de determinar visualmente (pode ser material ferroso, como magnetita, ilmenita etc).  É formado com o encontro de lava vulcânica com o mar.

Em Seaford temos quase totalmente quartzo branco e translúcido, com alguns amarelados. Não são muito angulosos, mas também não muito arredondados. É bastante parecida com a primeira foto. Os sedimentos de ambas foram selecionados em tamanho e material, mostrando que são praias antigas. As praias brasileiras em seua maioria se formaram e se formam com estes minerais.

Kalapaki: Há uma grande variedade de minerais, de tamanhos e arredondamentos diferentes, que indicam variedade de fontes sedimentares, misturando antigas com novas. Nível HARD mesmo…  Há quartzo, feldspato, material ferroso e bastante calcário, dentre outros que aparentam estar levemente intemperizados quimicamente.

Nova organização do blog e das ciências

27 set

No post anterior já falei sobre algumas mudanças na essência deste blog.

Bem, como toda mudança interna emerge no externo (chamaríamos isso de paisagem!) o layout e organização do site mudou.

  • As cores irão mudar conforme a imagem de capa, que tentarei sempre variar com fotos realmente interessantes de nosso mundo e universo
  • Tentarei colocar mais imagens, vídeos, músicas neste site. Respeitando, claro, o uso de licenças (como Creative Commons) ou aquelas já voltadas para educação.
  • Reorganizei os menus
  • Vou inserir mais links externos e internos
  • Reorganizei as categorias:
    O mundo e nós : será o padrão
    Dentro do mundo: “será as ciências  naturais  e biológicas” e nossa relação com elas
    Além do mundo: “será as ciências astronômicas” e nossa relação com elas
    Dentro de nós: “será as ciências, artes, filosofias e religiões “
    Unindo nós: “as ciências humanas”
    Desenhando o mundo: será a cartografia, métodos, teorias da ciência, fotografias.
    Usando o mundo:  será a tecnologia, modificações, engenharias, artefatos.
    Daqui mesmo:  são os posts internos, falando do próprio blob.
    -Daqui para fora: são anúncios, cursos, viagens, aplicações… Enfim, dicas para aproveitar o sol, o barro e nós mesmos

Sim, usei categorias pouco práticas, mas poéticas.  Criar categorias é um poder humano!
A divisão de ciências “exatas”, “naturais”, “humanas” como matemática, física, quimica e história, socilogia, etc,  tem data de nascimento e pais; e não sei se concordo com elas. Busquei então fugir um pouco disso.

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